Eu já ia sentar aqui meio vazia. Confesso que acordei hoje pela manhã pensando no tanto de coisas que faltou fazer. Na rotina que precisa voltar a ser mais saudável, na casa que está uma bagunça e que me tira a energia só de olhar. Aí fui organizando uma coisa aqui, outra ali e quando foi possível sentar um pouquinho com caderno e caneta na mão me fiz a pergunta que é quase uma musa inspiradora para mim: o que eu aprendi esta semana?

Me dei conta que eu aprendi um bocado de coisas. Olha lá o copo meio cheio! Ouvi minha voz dizendo numa palestra que é preciso se perdoar, aceitar as próprias falhas para poder levantar e seguir em frente. Que não importa a perfeição, mas a constância. Eu falei e estava aqui me “chicotando” só de olhar para as desviadas que ando dando no caminho. É bom escutar as próprias palavras.

Essa semana foi bem rica em aprendizados. Começou com uma palestra de Gilberto Cury, em plena segunda-feira inspiradora de trabalho. O cara já consegue minha atenção quando se apresenta como um estudante profissional. Adoro quem se coloca nessa posição de eterno aprendiz. Pois então, ele me fala que o coração tem neurônios! Jura? Fui pesquisar na internet e não é que tem mesmo? São 40mil neurônios que tornam esse órgão sensível e capaz de adaptar seu comportamento de acordo com suas percepções, influenciando todo o corpo, inclusive o cérebro.

Aí volto uns 10 anos na minha história e me lembro quando decidi que ia fechar minha segunda empresa. Isso foi em 2007. Eu estava vivendo sob forte stress e senti uma taquicardia que me deixou sem ar. Escutei esse coração maluco que estava gritando no meu peito. Era hora de mudar de vida. Mudei. Será que agi com a emoção ou com a razão? Hoje percebo que foi com os dois. Usei neurônios, sabe lá de onde. Estou aqui vivinha para contar história.

Ano passado comecei a olhar para esse tema outra vez e a fazer várias reflexões de autoconhecimento. Lá estava o papo de ouvir o coração. E aí, gente boa, tem uma galera que não dá credibilidade para o assunto dizendo que não é racional, que é algo místico, tipo dançar em volta de fogueira ou sair abraçando árvores. Tudo papo para manter um monte de gente sem olhar com seriedade para esse assunto. Ouvir o coração para mim significa silenciar o suficiente para perceber meu corpo, escutar minha intuição, refletir sobre o que está me gerando incômodo.

Quando parei para perceber meu corpo, vi que as coisas não estavam bacanas. Fui fazer um monte de exames para descobrir o que eu já sabia: que precisava botar mais saúde na minha rotina. Até os 30 anos eu me achava meio “mulher maravilha”, que podia virar noites trabalhando, conviver com a pressão e que ia driblar todas as encrencas com meus superpoderes. Entro na fase dos 40 descobrindo que a gente colhe o que planta, que toda heroína tem sua criptonita e que há mais coisas entre o céu e a terra que nossa vã filosofia.

Com menos certezas e mais curiosidade, vou olhando para dentro, para o coração, para descobrir o que me faz feliz. Aprender e ensinar me faz feliz. Compartilhar, ver que a experiência de outras pessoas me faz bem e saber que as minhas podem também contribuir com outras pessoas, faz meu coração vibrar. E aí quero mudar de rota outra vez. Quero me voltar mais para o desenvolvimento humano. Algo que, de verdade, nunca esteve muito longe de mim. Às vezes adormecido, mas nunca longe. Porque o que mora no coração nos habita e volta para nos lembrar a que viemos.

Olhando para fora, sinto que a qualidade de vida que procuro exige que eu priorize mais e que isso significa que não vou conseguir agradar todo mundo. Não cabe tudo nas minhas 24 horas. Ainda sofro com os “nãos” necessários. Vamos lá! Menos perfeição e mais constância. Essa semana resgatei algumas necessidades básicas esquecidas: estar entre amigos, me alimentar de arte, pausar para respirar.

E tem um tanto de coisas para aprender ainda. Fechando a semana diz meu querido amigo Pedro Ferreira, que fez meu mapa astral: resgatar o feminino, aceitar minha origem relacional e buscar o equilíbrio entre a segurança e o talento. Tem assunto para muita crônica ainda. Graças a Deus!