Tem uma hora que é preciso marcar uma data. Um encontro com a pessoa que quero ser. Um divisor de águas entre a realidade que me habita e o passo adiante que decido dar. Tem uma hora que a zona de conforto já ficou tão pequena e estreita que sinto não me caber mais. Então preciso expandir. Sair dos limites conhecidos e ir além.
Tenho assuntos pendentes que me batem à porta. Preciso olhar para eles e escutar o que têm a dizer. Uma necessidade de agradar, talvez. Uma dificuldade de negociar limites, com certeza. O que não me serve mais e nem quero recuperar? O que pede minha coragem e iniciativa?
Nem sempre estou preparada para virar a chave e assumir o risco de uma decisão. Mas não sou de viver de dúvidas. Isso me coloca num limbo que me deixa a impressão de uma vida que passa enquanto espero por algum milagre.
Quero ter o controle sobre minhas escolhas. Então vamos lá. Chegou a hora de decidir uma data. Marquei a minha. Agora é assumir a direção da minha vida e começar a trabalhar na mudança.
Preciso me colocar em movimento. Não sei como será esse caminho escolhido, mas tenho um certo tempo para descobrir. Um tempo marcado e finito. Vou de passo em passo. Primeiro, quero entender o que me incomoda. O motivo dos meus desconfortos. Depois, o que me traria paz. Que preparos e cuidados posso tomar. Descobrir o que preciso para sentir que estou no caminho certo.
Sentar por um momento e respirar fundo. E com o peito cheio de ar, sentir que minha energia se expande. Preciso me abastecer com o que me inspira. Minha essência, meu amor, meu riso e meu jeito de ver vida. Preciso encontrar meu ritmo, minha música e me deixar fluir.
Já quis tudo, ao mesmo tempo, sem descanso. Aos poucos fui descobrindo que esse acúmulo de vontades, projetos e sentimentos era uma certa incapacidade de abrir mão, de negociar comigo mesma o tempo certo para cada coisa em minha vida. Descubro que abrir mão é estar livre para ser mais quem sou. Estar mais inteira dentro das minhas escolhas. Abrir espaço para o novo.
Agora quero tempo para sentir. Deixar a intuição soprar em meu ouvido. Entender o que se passa aqui dentro. Tempo para me colocar como prioridade. Sinto que este encontro marcado me impulsiona, porque me preparo para ele e para o que pretendo fazer depois dele.
Marcar uma data para encontrar a pessoa que quero ser não traz a certeza de que tudo vai dar certo. Ainda assim, me faz assumir o compromisso de dar o meu melhor. Nesse encontro, busco respostas possíveis e me proponho a orquestrar minhas próprias mudanças. Com harmonia e sentido.