Abri meu primeiro negócio aos 17 anos. Me lembro de ir ao cartório com meus pais pedir emancipação para poder registrar firma. Trabalhei muito desde o início. E estudava na faculdade e fazia festa com os amigos, cheia de vontade de conquistar o mundo.


Dois anos depois, fechei a sociedade e abri o segundo negócio. Mudei de cidade, agora na capital, mais dedicação, muitas noites viradas no escritório. Sentia necessidade de mostrar tudo o que eu era capaz de realizar. Alta performance e muita produtividade.

Depois de 10 anos neste segundo negócio, resolvi entrar no mundo corporativo. O ritmo não diminuiu. O próximo passo, o próximo cargo, muito trabalho. E todo esse trabalho foi muito bem recompensado. Clientes fiéis, convites e promoções. Sou grata a tudo o que vivi. Tive excelentes professores e gestores em todo este caminho. Muito estudo também. 2 MBAs, cursos presenciais, cursos virtuais, imersões, formação de família, nascimento dos filhos. Porque mesmo estou falando tudo isso?

Antes que você pense que este texto é um currículo disfarçado, quero que preste atenção quantas vezes escrevi a palavra muito. Muitas vezes. Venho sentindo a necessidade de desacelerar. Não, não estou falando de férias ou um feriadão bem relaxante. Quero curtir com qualidade minhas relações na família e no trabalho.

As noites viradas na frente do computador já não me atraem mais. Vivemos uma era de conexão, mas sinto alegria ao me desconectar. A multiplicidade de fazeres vem gerando muito retrabalho. Minha busca é pelo essencial. O que é mais importante ser feito neste momento. Enfrento as ansiedades, minhas e dos outros, com o íntimo desejo de desacelerar. O que eu quero? Sossego.
Reservar um espaço priorizado na agenda para me dedicar com plena atenção a uma tarefa. Não para me livrar dela. Para cultivá-la, vê-la nascer com inspiração e criatividade. A ousadia de tentar algo diferente.
Quero sossego para praticar meu silêncio pela manhã e fazer nada por alguns minutos à noite. Sossego para conversar com meus filhos, inventar histórias com seus personagens favoritos e vê-los criando aventuras junto comigo.
Sossego para sentar com meu companheiro nesta jornada e, na cumplicidade do dia-a-dia, curtir a presença um do outro. Sossego para cuidar das minhas plantas, para ler um bom livro, para escrever meus aprendizados.
Sossego para tomar um café com um colega de trabalho e buscar uma solução para um desafio novo que apareceu tão fresquinho quanto o café. E encarar este momento com leveza, uma ajuda mútua que faz aprender a ambos.

Sossego é viver com o coração em paz, na certeza de que se está fazendo o melhor que se pode fazer e vivendo cada dia com presença. Sem o saudosismo de um ontem que não volta mais, nem o nervosismo de um futuro que nunca chegará, porque é feito de decisões tomadas no exato instante que estamos ocupados demais para, simplesmente, sossegar.

12 de fevereiro de 2017