Sexta-feira acordei cansada. A bendita dor nas costas, velha conhecida. Eu costumo colocar o despertador para tocar num horário que me permite levantar com calma, fazer minha rotina da manhã com tranquilidade e em família. Nada disso aconteceu. O despertador tocou no banheiro, estratégia que me fez sair da cama. Me arrastei sentindo o corpo dolorido, desliguei da forma mais atrapalhada possível e voltei para a cama. Eu não tinha a mínima energia para levantar.
Quando os olhos abriram outra vez vi que tinha algo como 30 minutos para escovar os dentes, colocar a primeira roupa que aparecesse pela frente, engolir qualquer coisa e dar um beijinho rápido na turma aqui de casa. Cheguei no trabalho ainda sentindo a noite mal dormida. Para não atrasar na primeira reunião do dia, marquei de encontrar minha colega numa mesinha ao sol, próxima do estacionamento. Enquanto aquecia os neurônios e ajustava um projeto, senti o efeito do sol nas costas. Mais confortável, comecei a respirar melhor.
Subi alguns andares para a segunda reunião do dia. No meio do caminho sou chamada para pensar na solução de um problema. Descobri que a ideia pensada logo cedo na reunião ao sol, resolvia também o chamado inusitado. Cheguei em minha mesa de trabalho quase no horário do almoço. Meu colega de time então me avisa que tinha pedido para me encaixarem numa ação de produtos para ganhar uma massagem caso houvesse alguma desistência. Nem acredito no que escuto! Pouco tempo depois o telefone dele toca e sim, eu ganhei uma massagem.
Saí da massagem me sentindo novinha em folha, com um marcador de livros que recebi de presente. Nele, além dos dados de contato da equipe de massagistas, encontrei a Oração da Serenidade. Falava de unir-se aos outros para juntos fazer aquilo que não se consegue fazer sozinho. Falava da serenidade para aceitar as coisas que não se consegue modificar, da coragem para modificar as coisas que posso e da sabedoria para distinguir entre elas.
Isso me lembrou de marcar a fisioterapia e da ideia do projeto de construção em time e que ajudaria muitas pessoas. Me lembrou que eu finalizaria o dia com um belo café com mentoria de escrita, um momento bem esperado por mim e que tinha ficado esquecido.
Meu dia foi de uma sincronicidade especial. Cheguei em casa pensando nelas e agradecendo essa magia das coisas simples. Do carinho recebido ao conforto proporcionado pelo sol da manhã. Do café ao final do dia para falar do meu livro a um marcador de livros com uma oração que fala de algo que tanto aprecio. Encontrei a felicidade morando nos acasos.