Cabe muita coisa num abraço. A menos que se fique dura e reta feito uma árvore, não tem como receber um abraço sem dá-lo também. Nesse gesto vou trocando energia, empatia e se me permito, até um pulsar de corações. Em meus braços, vou fazendo a acolhida, recebendo o outro e entregando um pouco de mim. Há os abraços sociáveis, eu sei. Ainda que distantes, não há como fugir do toque e do encontro, o que faz desse movimento algo humano e cheio de significado.

Abraços me trazem confiança e abertura. Recebi e dei abraços em abundância nos últimos dias. Não, não foi meu aniversário. Foi uma semana de encontros. De pessoas queridas que me presentearam com abraços e acasos. Foram momentos que mexeram com minha energia e me colocaram mais presente nas minhas relações. E nessa presença fui me abrindo para os acasos.

Por acaso recebo uma palavra – protagonismo – que me provoca o movimento. Por acaso recebo tarefas que me encorajam a tomar decisões e me colocam diante das contribuições mais valiosas que posso dar ao outro: na escuta, nas palavras, nas perguntas que geram a reflexão.

Por acaso sento para tomar um café com um amigo e recebo uma conversa de presente sobre fechamentos, comunicação e o desafio de enfrentar os próprios limites, os medos e ir além. Por acaso encontro alguém que me fala de conexão com minha natureza, com o que me favorece a saúde e meu bem-estar. E me pergunto se tudo isso são mesmo acasos que me são entregues ou meu olhar que se conecta com o que preciso e busco.

E volto mais uma vez meu olhar para os abraços. Essa aproximação com pessoas que contribuem conosco, porque nelas habitam uma sabedoria natural de suas vivências e suas histórias. Um gesto simples que soma e que precisa deixar ir para que novos encontros aconteçam.

Um pequeno iniciar e terminar de relações, de conversas e trabalhos. Acolher e permitir, em meu coração, que boas energias fiquem e alguns assuntos se vão. Esvaziar a mente de passados vividos e futuros desejados para que eu possa habitar o que o dia me apresenta. O que cabe num abraço? Cabe sentimento, presença e desprendimento. Uma boa lição para meu viver.