Você já acordou no meio da noite com um pensamento que te perturba e tem grande dificuldade de voltar a dormir? Ou pela manhã, ainda na cama, sente que poderia descansar mais um pouco, mas a mente está cheia de assuntos que te geram a maior ansiedade? Eu sim. Fico ali, ruminando pensamentos que vêm e voltam sem conseguir controlar.
Argumento comigo mesma, que seria bem mais feliz se parasse com isso e acordasse pela manhã mais descansada. Meu cérebro, no entanto, parece estar além das minhas vontades e fica trazendo os mesmos pensamentos, como numa espiral que gira infinitamente em torno de si mesma.

Que pensamentos são esses? Coisas que não consegui realizar no dia anterior, problemas que ainda não sei como solucionar, indefinições que me perturbam, medos ou incertezas. Ah! Tem também as culpas por não ter estudado o tanto que gostaria sobre um determinado tema ou por não ter feito os exercícios físicos que preciso para minha saúde.

Não são necessariamente coisas ruins, porém me roubam a energia no momento errado. Seria tão fácil escolher o sonho, imaginar-me viajando mundo afora, pensar que estou curtindo uma praia ou um dia de Spa. Tantas coisas para sonhar e eu ali, olhando para o teto do meu quarto e pensando como vou dar conta de tanta demanda no dia seguinte.

Acabo levantando e dispensando o café tranquilo e minhas rotinas de alongamento e meditação para tentar resolver as questões que me perturbam. Me colocar em movimento é bom, mas quando vejo que estou apenas agindo no impulso, sem um pensar, um planejar e um sentir mais elaborado, eu me preocupo.

Aliás, a palavra preocupação serve bem para a situação. Eu primeiro me pré-ocupo com o que vem na cabeça, depois me ocupo sem um pensar melhor no assunto e acabo acumulando outras demandas que alimentam novas pré-ocupações. Acho que tem algo errado aqui. É a famosa expressão de “enxugar gelo”.

Nessas horas penso que preciso sair da espiral e olhar um pouco de fora para estas questões. Ontem levantei e resolvi “capturar” esses pensamentos escrevendo eles num caderno. Nenhum deles estava nos meus planos do dia. Passei a semana inteira dizendo para meus filhos que se saísse um dia quente, de sol, iria leva-los para um banho de piscina. Era algo que eu também prometi para mim mesma. Um pouco de sol para recarregar as baterias. Eu não queria quebrar minha promessa. Olhei para a lista escrita e comecei a me perguntar:

“Por que estes assuntos me preocupam? ” Porque priorizei outras coisas e acabei não resolvendo eles. Porque me sinto em dívida com outras pessoas. Porque investi dinheiro e não me dediquei como deveria.

“O que me deixaria mais tranquila com relação a esses assuntos? ” Fazer algum movimento em relação a eles que me mostrasse que estou resolvendo, que já não estão mais “esquecidos”.

“Faz diferença agir agora pela manhã? ” Sinceramente, eu ficaria mais tranquila se fizesse agora. Por outro lado, meus filhos merecem minha atenção. Eu mesma mereço a minha atenção. Me sentiria muito bem curtindo um pouco do sol. Posso me programar para fazer algo à tarde. E outro tanto posso colocar na agenda de segunda-feira, bem cedo.

Pronto! Conversar um pouquinho comigo mesma, fazer algumas reflexões, já me tiraram do “piloto-automático”. Curti a piscina com meus filhos e descansei de verdade. Isso me traz um aprendizado importante: preciso reservar um tempo para essas perguntas. Parece simples e óbvio, mas não costumo fazer. Olho para minha agenda e tem lá só coisas para executar. Por isso meu pensamento me acorda à noite. É desafiador! Fica aqui meu compromisso de pôr tempo para pensar na minha agenda.