“Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir – disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas – replicou o gato. ”
A conversa de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll me encontra toda vez que me sinto perdida. Não sei ao certo para onde ir. Ou sei? Talvez intimamente saiba, sim, mas onde encontro a Coragem, essa moça guerreira, de cabelos ao vento, jovem e cheia de energia, para comprar o bilhete que me leva até o sonho? Quando silencio e busco o que me motiva, quem sou, o que me faz brilhar os olhos, pareço encontrá-la.
Então o Medo, um rapaz muito articulado e de discurso fervoroso me chama para uma caminhada. Sou boa ouvinte e ele tem muitos argumentos. “Vais trocar o certo pelo duvidoso? Veja quanto tempo levaste para chegar até aqui. Quanto investiste de estudo, de trabalho, de recursos. ” Respondo que ele já esteve comigo 10 anos atrás e eu não lhe dei muito ouvidos. Porque daria agora? Os olhinhos do Medo brilham e sei bem o que vai me dizer. “Você acha que ainda é feita de Coragem? Do que pretendes abrir mão? ”
Paro onde estou e deixo que o Medo siga seu caminho. Preciso sentar um pouco, tomar fôlego. Olho o vai e vem da rua. Perdida ainda em meus pensamentos, não noto a aproximação de uma velha senhora. “Sensatez, muito prazer. Posso lhe fazer companhia? ”. Eu sorrio.
Ela senta confortavelmente ao meu lado e olha para o horizonte, em silêncio. Estou inquieta. Penso em falar-lhe algo. Sensatez, como que adivinhando, me diz: “Não perca o horizonte. É para lá que queres ir, minha querida, o horizonte. Ele inicia bem aqui, no seu próximo passo. Quanto mais caminhas, mais horizonte encontras para caminhar. “
Mas que horizonte é esse, eu me pergunto. E seu eu pegar o caminho errado? Nesse momento uma menina de 7 anos corre e pula no colo de Sensatez. “Conheça minha neta! Ela vai te levar no caminho que queres trilhar. ” A menina já está bem na minha frente, pega minha mão e me puxa a caminhar. Antes que eu me afaste, olho para trás e pergunto: “Como é o nome dela? ” A senhora que está a tricotar os fios desta história me responde: “ Alegria, Astrid, ela se chama Alegria”.