Me dei conta que as coisas que eu digo para outra pessoa, digo também para mim mesma, para que eu possa escutar algo que poderia me ajudar na vida e estava precisando verbalizar. Sabe aquela coisa do coração que quer falar com a gente, mas a gente não escuta? Aí aparece alguém com alguma história de vida e você vai lá dar um conselho que serve direitinho para você mesma. Por isso eu gosto do Coaching, porque é uma técnica que provoca perguntas poderosas e não fica dando conselho à toa.
O conselho é algo que a gente deveria contextualizar antes de dar. Do tipo: “se eu estivesse vivendo a mesma situação que você” ou “eu vivi algo parecido já e aprendi que…” É preciso colocar a pessoa certa na história. Algo que aconteceu comigo ou pensar em mim na história, com o meu jeito de ser, as minhas escolhas é uma coisa. A outra pessoa é uma outra história. E nesse compartilhar de experiências, pode ser que ela até se inspire na sua história, mas precisa tomar suas próprias decisões e seguir seu caminho.
Então me pego pensando nas minhas orientações e como elas podem me servir no que vivo hoje. A gente sabe um monte de coisas que podem dar um jeito na nossa vida, né? Porque não faz? Percebo que algumas coisas – mesmo que muito boas – me tiram da tal zona de conforto. Se preciso mudar um hábito, tem lá na rotina outro que já me é conhecido, o tal “viver no piloto automático”. Então tem esforço aqui. E se tem esforço tem persistência. E para completar a listinha, tem importância. Tem que importar para mim. Aquilo que importa aos outros, mas que eu de fato não valoro, tende a ser protelado, esquecido, despriorizado.
Me ponho a escutar meus próprios conselhos. Que conselhos eu daria para mim? Que perguntas poderosas posso fazer para me provocar uma conversa bem honesta comigo mesma? Parece coisa de maluco, mas ajuda muito. E no olhar ao outro, na conversa que pode inspirar quem está a sua frente, perguntas iluminam mais do que respostas prontas. Aprendo que há, cada vez menos, verdades e mais possibilidades pelo caminho.