“O que você faz bem, Astrid?”, pergunta minha terapeuta. Eu respondo que sei escrever. Ela repete a pergunta. Quer que eu vá mais fundo na reflexão. Não estou com muita paciência. Minha semana não foi das mais agradáveis. “Sei lá, uso bem as palavras, consigo traduzir o pensamento, o sentimento. Consigo engajar pessoas… O que queres de mim?” Ela me enxerga com sabedoria e toca no ponto mais frágil, mostrando a importância de usar a comunicação, algo que me é tão fluído, para expressar minhas necessidades.

Estou tão mergulhada nos problemas, que não faço a pergunta certa, aquela que abre um novo caminho ao pensamento. Eis que desta conversa surge uma: “Qual é a minha necessidade?” Me dou conta que busco mais respostas que perguntas. Porém, a mesma resposta pode ser certa ou errada se eu não conseguir conectar razão e emoção. Ambas nos habitam – razão e emoção – por algum motivo, não acha? Acredito que é para que possam conversar entre si e me ajudar a encontrar o caminho do meio.

Estou agora neste caminhar. Olhar para o problema e buscar qual a necessidade que ele expressa. Vou dar um exemplo. Este final de semana precisei trabalhar. Como tenho uma dedicação grande ao longo da semana, gosto de tirar estes dias para descansar, fazer minhas leituras, curtir meus filhos, caminhar, escrever meus textos. Estava bastante incomodada com a demanda. Percebo minha irritação e a ansiedade me acorda pela manhã para lembrar das pendências.

Que necessidade este problema me aponta? Elas vão surgindo: necessidade de ter maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Preciso organizar melhor a agenda, fazer o melhor possível sem tentar “o estado da arte” que é meu modus operante. Necessidade de colocar limites, de dar o espaço conforme o que me é prioritário. Da reflexão veio algumas ações como trabalhar nos momentos em que os meninos estavam dormindo. Emoção e razão um pouco mais em equilíbrio. A ansiedade vai se acalmando. Me sinto mais cansada, mas sigo no meu exercício. Disciplina e constância para aprender.

Mais algumas perguntas poderosas me rondaram os dias: “Quais são as expectativas que tenho a meu respeito?” e “Como eu me coloco a serviço? Como vivo a minha entrega?”. Perguntas são portas que nos levam a encontrar mais de nós mesmos do outro lado. Me questionava sobre expectativas. Elas nos ditam o quanto ficamos satisfeitos ou frustrados a nosso respeito. Tenho a expectativa de fazer o que faço com capricho e beleza, com prazer e significado.
Esta expectativa me faz vibrar quando consigo entregar algo muito bom, quando engajo pessoas para um trabalho em time, dedicado e motivado. Por outro lado, me frustra quando sou massacrada pelos prazos “miojos”, como chamo aqueles que precisam estar prontos em 3 minutos ou já nascem atrasados.

Não gosto de prazos instantâneos que não permitem o mínimo de dedicação. O fazer por fazer, para cumprir prazos estabelecidos apenas pela ansiedade. “E qual a necessidade que isto me aponta?” Necessidade de negociação. Com o outro e comigo mesma. Definir o melhor que posso entregar no tempo que tenho. Definir o tempo mínimo necessário para atender um pouco do meu “modo de fazer”.

E como me coloco a serviço? Acredito no poder das palavras para transformar de forma positiva nossas vidas. Coloco minhas palavras e minha escuta a serviço desta transformação. Saber disso muda a minha forma de ver qualquer coisa que faço, seja no meu trabalho no corporativo, nos meus projetos pessoais ou na minha vida pessoal. Vivo esta entrega através dos meus textos, das cartas inspiradoras, do Coaching, das palestras, da escuta do cliente e da busca por soluções. E agora, mais do que nunca, da busca por perguntas que abrem portas.