Me sinto tão pequena nesse mundo e penso que poderia sair por aí conhecendo mais, vivendo mais, entendendo melhor como é a vida nesta época em que eu o habito. No entanto, passaram-se algumas décadas e continuo sendo aquela narradora que vai acumulando experiências no espaço em que vive.

Em tempo, vale explicar que existem dois tipos típicos de narradores: o sábio e o andarilho. O sábio observa o mundo ao seu entorno, aprende com a vida que leva. O andarilho observa o mundo que encontra pelo caminho, aprende com as diferenças, com as comparações, com a vida que o leva.

Temos tanto acesso ao mundo pelas telas, mas o quanto sentimos este mundo, o quanto navegamos fora das redes? Vivemos trancados em paredes de escritório e apartamentos ou casas entulhadas de informação. O quanto entendemos o que se passa ao nosso redor? Preciso me colocar mais do lado de fora das telas, das janelas, viver o que o dia propõe. Aproveitei então o domingo para sair e aproveitar o dia. Caminhar no parque, visitar o Museu dos Insetos.

Observei besouros, abelhas, formigas, baratas, borboletas e bicho-pau. Esses seres que vivem escondidos da nossa atenção. São ignorados ou mortos com uma desdenhada pisada, sem que ao menos possamos propor uma convivência mais equilibrada. Aprendo sobre as abelhas, seguro alguns insetos pela mão. Vou aprendendo um pouco aqui outro tanto ali, compartilhando com meus filhos.

Vamos ao parque. Pisar na grama, tomar água de coco, caminhar sem pressa. Permito um domingo andarilho, lento, ao sol. Deixo que o dia passe e a vida me leve sem qualquer objetivo, horário ou necessidade. Sento no cordão da calçada para comer milho. A vida parece bem simples por aqui.

A noite vai chegando de mansinho e não me reconheço nem como sábio, nem como andarilho. Fico com a sensação de que há algo para ser compreendido nesta jornada que ainda me escapa. Estar disposta a viver a vida que se apresenta me parece um pouco mais leve quando tiro todas as expectativas dos ombros. Sinto que meus narradores sentam ao meu lado e sussurram:

“Astrid, para ser um andarilho, é preciso ter mochila leve. Confia, que o que for preciso será disposto em seu caminho. “

Enquanto o sábio me observa, respira profundamente e diz: “ Tudo o que precisa aprender nesta vida está em teu entorno. Olha para teus filhos, eles ensinam. Olha para teus desafios diários, eles te exercitam. Cada dia é uma oportunidade única para saber mais e entender mais da vida que você escolhe levar. ”

E qual será a melhor escolha? Me pergunto como posso acertar mais do que errar. Meus narradores já se foram. Agora estou só eu e você, meu querido leitor, prontos para viver o que vier depois do próximo ponto final.