A vida é feita de escolhas e toda escolha implica em deixar algo para trás. Sim, é preciso desprendimento para seguir em frente. Mesmo que estejas desconfortável em tua vida atual, esta é uma realidade que lhe é conhecida. O desconhecido assusta.

É preciso confiar em nós mesmas para buscar algo melhor, que nos faça mais feliz ou que nos permita viver em paz. Coragem para dar um passo adiante e fé nas nossas escolhas. Fé significa acreditar sem saber se dará certo. Confesso que preciso ter certo controle sobre minhas escolhas. Elas precisam me deixar minimamente confortável ou empolgada.

Então, para sentir esse controle, escolho trocar o impulso pela intuição. Trocar os ruídos pelo silêncio da reflexão. É nesse casulo em mim mesma que posso perguntar para meu coração e sentir a resposta que me traz maior conforto ou entusiasmo. No silêncio encontro as boas decisões.

E o medo? Ora! Ele consegue ser bem barulhento em nossos pensamentos e prefere ser pessimista e caótico. Ao mesmo tempo, o medo nos protege dos passos descuidados. É preciso tê-lo por perto, sem deixar que nos impeça de caminhar. Com ele, gosto de me perguntar: qual os cuidados devo tomar?

Ter clareza do que se quer é um bom caminho assim como do que queremos deixar para traz. Tudo tem ônus e bônus. Deixaremos algumas coisas boas pelo caminho. Eu diria que tomar decisão é colocar na balança estas coisas boas e ruins. E ambas ficam dos dois lados. Há que se observar qual dos lados lhe parece melhor. E uma vez decidido, seguir com constância. Sem correr ou desanimar. Um pouco a cada dia. Os passos se aprimoram ao caminhar.

Ao escolher veremos somente parte deste futuro que será construído pela frente. É necessário dar novos passos para que o caminho vá se fazendo embaixo dos pés. Na ansiedade de ter certezas, por vezes nos atrasamos tentando uma eterna preparação (ou seria proteção?) para enfrentar a incerteza. Um curso a mais, uma economia a mais, um ano a mais para só depois se colocar em movimento. Protelar é privar-se da experiência. Se o futuro é feito com cada passo, não conseguimos ir adiante sem iniciar.

Engana-se quem diz que não escolhe. Escolhemos também quando nos omitimos, quando optamos por nada fazer ou quando permitimos que outras pessoas decidam por nós. Para tudo há escolhas. Nem que seja para escolher a forma como queremos viver tudo aquilo que foge do nosso controle. E eu escolho o movimento, certa ousadia e fé no que virá.